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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Cultura Participativa 1


Para entender o que é Cultura Participativa, indico a leitura de minha postagem no Espicaçando o Marketing, aqui. Começo pelo comparativo entre Web 1.0 e Web 2.0. É o desafio para se entender o que de fato é a Internet: mais do que computadores, é na verdade uma grande conexão de pessoas.

O autor e professor Clay Shirky consubstancia em livro boa parte dessa sabedoria debaixo do título: "Here Comes Everybody" - que seria algo como "Todo mundo já chegou" para traduzir de forma contextualizada. O que ele quer dizer em outras palavras e de maneira menos ofensiva é que há um "estouro da boiada". Tenho usado essa expressão para enfatizar que é impossível controlar ou exercer qualquer tipo de dominância sobre o mundo digital - quer por barreiras ou por censuras. As censuras servem por um tempo, mas logo são contornadas e se tornam obsoletas.

Como em uma festa que podemos ver e ser vistos, conversar e sermos abordados, a Web 2.0 replica um pouco desse ambiente. E a recomendação que eu faço é: saia do casulo e mergulhe. Só mesmo 'nadando nessas águas' é que se entenderá o que é estar na Web 2.0 e ao mesmo tempo perceber onde principia a tal de Cultura Participativa.

sábado, 19 de setembro de 2009

Amamos objetos


Numa aula-palestra realmente provocativa, Sherry Turkle do MIT apresenta um conceito que nos parece obvio, porém ainda sem explorarmos seu verdadeiro significado.

Professora Turkle enfatiza que "nós amamos os objetos que nos ajudam a pensar". Partindo de uma abordagem inicialmente psicoanalítica, ela consegue sintetizar com argumentos filosóficos e de estudiosos de outras áreas, para trazer luz à relação que temos com máquinas e a própria tecnologia.

"Perder o meu HD é a morte" - essa e outras semelhantes afirmações - onde se pode substituir o objeto amado (quer por um PDA, celular ou mesmo um pen drive) são muito comuns. Constatamos com isso a nossa profunda dependência com essas ferramentas que em nossa percepção, nos torna mais inteligente e produtivo. E com isso e por isso, mudam o nosso ser.

O desdobramento disso tudo, a que devemos nos aprofundar, tem a ver com a Escola, com a Educação (no sentido amplo - familiar e social) e com o ambiente de trabalho.

Só para iniciar: como estamos acostumados com o uso do teclado, do mouse e de sistemas corriqueiros? De que maneira se instala nosso escritório? E a escola de nossos filhos? A sala de aula onde passaremos um dia inteiro - com seus recursos e instrumentos?

Prestemos atenção portanto em nossa própria situação e na dos filhos e funcionários mais jovens para trazer à discussão mais essa importante faceta.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Substantivos e Verbos


Uma interessante e importante diferença existe em como a maioria dos professores (imigrantes digitais) encaram a tecnologia digital do presente e os alunos de hoje (nativos digitais). Essa diferença traz implicações enormes para aqueles responsáveis pelo desenvolvimento de cursos e a sua ministração na Escola.

Os imigrantes digitais encaram a tecnologia digital como sendo uma série de ferramentas - por exemplo: o Word, o Excel, o PowerPoint, o Adobe Flash. As ferramentas podem ser usadas para realizar uma série de coisas. Cada uma delas pode ser manuseada e ensinada individualmente.
Na verdade, agora mesmo você poderá estar ofertando um ‘curso’ em qualquer uma dessas ferramentas, como é apresentado na TV o “Video Professor”.

Colocado em outros termos, nossos professores que são imigrantes digitais, encaram a tecnologia como uma série de programas, ou como coisas, ou – em termos lingüísticos – como Substantivos.
Os alunos de hoje, se forem fluentes como nativos na tecnologia digital, encaram de uma maneira bem diferente. Eles vêem a tecnologia como um meio para fazer as coisas acontecerem: comunicando, compartilhando, apresentando, etc.

Nos termos lingüísticos nossos alunos vêem a tecnologia como Verbos.

Eles não aprendem a usar o celular. Eles aprendem a comunicar, usando suas diversas possibilidades. Eles ‘textuam’. Eles ‘torpedeiam’. Eles falam. De maneira similar, eles não aprendem PowerPoint. Eles aprendem apresentação. E no momento em que a ferramenta se torna limitadora para eles – eles partem para outra. Com os telefones celulares isso acontece pelo menos uma vez por ano. E com o PowerPoint, acontece na 6ª série (para os nossos mais brilhantes), pois eles trocam para o Flash e para ferramentas de vídeo – ou o que existir de mais avançado como ferramenta, para o ‘verbo’ acontecer no que estiverem envolvidos.

Tradução do artigo (parte 1) de Marc Prensky por Volney Faustini. Link original aqui.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O Tema Campeão


Creio que há muito passamos a discussão da necessidade de mudanças. Há um claro reconhecimento da falência dos métodos e da total ineficácia de metodologias obsoletas para a Escola de hoje. É covardia agregar fatos e argumentos diante do óbvio.

Para onde levar a Escola?

Essa é a grande questão dos próximos dez anos a perseguir a Educação e educadores em geral.

A grande questão gera filhos: Como mudar? Que direção seguir? O que implementar? Como implementar? Que métodos utilizar - ou até de forma mais específica: que metodologia aplicar? Existe ou existirá tal coisa - uma metodologia aplicável e replicável? Que abordagem adotar?

Enfim muito mais questões do que afirmativas ou respostas prontas. Isso em si, é excelente sinal.

As perguntas mais difíceis e complexas nos inspiram a uma atitude de aprendizado. Desde o princípio de nossas postagens neste blog, nos era claro que o novo aprendiz é um chapéu para todos os protagonistas da Escola: educadores, professores, administradores, funcionários paradidáticos, pais, e (redundantemente) alunos.

Ou seja, é da hora a contínua discussão destas e novas questões - não tanto pela busca de respostas, mas sim pelo processo de aprendizado e de criatividade. E o mais interessante de tudo, é que parte das respostas estão soltas e circulando o mundo através do ciberespaço.

Vou mencionar a fonte de alguns desses fragmentos a orbitar por nossas cabeças:

- TED TALKS (Conferências de Tecnologia, Entretenimento e Design)
- Digital Youth Project (Fundação MacArthur eUniversidade de Berkeley)
- Berkman Center for Internet and Society (na Universidade de Harvard - vários capítulos)
- Aspen Idea Festival (debaixo do Aspen Institute)
- CSN (Amsterdan - A Rede Social Corporativa)
- Preparar o Futuro (APDC - Portugal)
- Seminário A Sociedade em Rede e a Educação (Iniciativa da Vivo)
- 11º Encontro LocaWeb (São Paulo e outras cidades)
- Desconferência Escola de Redes (Campos de Jordão - português), e também no YouTube

São importantes conclusões trazidas nos eventos ou apresentadas ao público e que agora fazem a discussão se seguir. Isso nos estimula e nos faz pensar de maneira mais profunda. E nos leva à conversação. Aí está o nosso caminho, o caminho do novo aprendiz!