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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Vida Digital em 2010

A discussão sobre a vida digital e nossa presença on line continua!

Preparei uma pesquisa que trata justamente do tema e das ênfases para o próximo ano. A preocupação aqui é identificar formas e maneiras para sermos mais produtivos.

Se de um lado é mandatório participar de redes sociais e postar ideias e argumentos que ajudam a levantar a nossa bandeira, ao mesmo tempo é importante descobrir os vilões e consumidores de nossa energia.

Responda (ainda hoje) aqui. Em menos de dois minutos - e acompanhe os resultados analisados aqui no blog.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Mentes Flácidas


Ao longo da semana estava desenvolvendo a minha análise sobre o tão propalado caso da menina da Uniban. A Instituição não havia até então se manifestado. Para mim esse silêncio valia ouro. Até porque não há o que se falar. Uma vez a aluna dentro do campus, a responsabilidade passa a ser da Instituição.

Imaginei, pela perspectiva do marketing, que apesar de ser uma Universidade, algumas regras do 'livre mercado' e do bom senso prevaleceriam - daí que fiz uma postagem por essa ótica, em outro espaço. Veja aqui. Sob o título Ardil, enfatizei que a Uniban estava na situação do 'se correr o bicho pega, se ficar parado o bicho come'. E defendia um posicionamento de distância e silêncio.

No fim de semana fomos surpreendidos. Inicialmente os sites noticiosos antecipavam o teor do 'informe publicitário' a ser veiculado nos jornais de domingo de grande circulação - com o posicionamento oficial da entidade, expulsando a aluna Geysa e tomando outras medidas de lado estético. Em seguida vieram as reações. Os twitteiros criaram um tag específico (#unibanfacts) onde concentraram as ironias e piadas. O volume de micro posts crescia ao longo do dia. E novamente caia o assunto na mídia televisiva.

Voltemos para os aspectos da Educação e do Ensino para elaborarmos algumas lições - são pílulas para reflexão e debate:

1. A Uniban deu mostras claras de que não está preparada para entender, analisar e processar o que se passa na Web. As repercussões na internet foram o segundo estopim. E o terceiro foi a grande mídia. A famosa frase: "A revolução não será televisionada" pode muito bem ser aplicada a esse caso. Antes de chegar na televisão - a revolução já havia acontecido.

2. Os participantes ativos da confusão são Nativos Digitais. A força de expressão, o comportamento temporário e as múltiplas identidades são alguns dos fatores que provocam essa explosão. Pouco se falou disso. Generalizações banais e reducionismos simplórios. Há que se considerar também o que é ação coletiva e densidade social. Sobre esses sub-tópicos eu havia falado na quinta-feira passada num evento fechado. E usei - para surpresa dos presentes - o "Case Uniban" como ilustração. Os colunistas e analistas de plantão também não trouxeram uma reflexão mais aprofundada.

3. Há nesse contexto uma oportunidade e uma demanda. Esperemos que outros tomem iniciativa nessa direção. A oportunidade está em se focar na construção e nos propósitos da coletividade educacional. Professores e educadores - mesmo no nível universitário - devem lançar mão dessa capacidade inerente que está nos seus alunos e criar através de desafios interessantes projetos conectados à sua formação ou com desdobramento nela, mesmo que envolva questões políitcas ou sociais. A demanda é o da ociosidade. Aparentemente a grande maioria é provocada para coisas destrutivas. Minha avó já falava: "cabeça vazia é oficina do diabo." Ter deixado os alunos com a mente flácida ao longo do último bimestre, permitiu provocações outras e envolvimentos outros.

4. Há um grande potencial de produção (individual e coletiva) que deságua em novas formas de expressão. Há uma capacidade nova - escondida e não percebida pelos mais velhos (professores, educadores, decisores, chefes, patrões, gerentes). Há um forte ímpeto por descoberta, inovação e para aceitação de desafios. E esses Nativos Digitais estão a postos.

Então - o que vamos fazer diante desse novo quadro de fatores? Abraçar as oportunidades para fazer algo realmente diferente ou correr o risco ao se manter as mentes flácidas?

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Agenda de futuras postagens


A seguir compartilho e antecipo um pouco do que estaremos tratando em nossas futuras postagens. Minha idéia é a de fazer em forma de Perguntas e Respostas. Estou imaginando e construindo indagações válidas, e que ao mesmo tempo introduza temas que venha influenciar a Escola e os alunos.

Não se trata de uma lista exaustiva, mas sim introdutória. Através dos comentários ou mesmo diretamente, você também pode trazer sua perguntas. A idéia, muito mais do que respondê-las, é de criar uma base para viabilize o debate e o aprendizado mútuo.

Vamos lá:

- O que significa Cultura Participativa? Qual sua pertinência?

- A mídia digital modifica em que sentido, e de que forma o aprendizado?

- Que novas habilidades os jovens devem levar para o novo mercado de trabalho?

- O que são Competências Culturais, e por que são importantes?

- Quais os esforços e adaptações a serem feitas para realizar a integração entre as gerações
(incluindo-se todos os ambientes: Família, Escola, Clube, Igreja, Política e Trabalho)?

- Como a Sociedade de maneira geral pode tirar proveito das oportunidades (e quais são elas) que advém deste impacto cultural-digital?

- O que é a nova alfabetização do século 21? O que devemos fazer a respeito disso?

sábado, 19 de setembro de 2009

Amamos objetos


Numa aula-palestra realmente provocativa, Sherry Turkle do MIT apresenta um conceito que nos parece obvio, porém ainda sem explorarmos seu verdadeiro significado.

Professora Turkle enfatiza que "nós amamos os objetos que nos ajudam a pensar". Partindo de uma abordagem inicialmente psicoanalítica, ela consegue sintetizar com argumentos filosóficos e de estudiosos de outras áreas, para trazer luz à relação que temos com máquinas e a própria tecnologia.

"Perder o meu HD é a morte" - essa e outras semelhantes afirmações - onde se pode substituir o objeto amado (quer por um PDA, celular ou mesmo um pen drive) são muito comuns. Constatamos com isso a nossa profunda dependência com essas ferramentas que em nossa percepção, nos torna mais inteligente e produtivo. E com isso e por isso, mudam o nosso ser.

O desdobramento disso tudo, a que devemos nos aprofundar, tem a ver com a Escola, com a Educação (no sentido amplo - familiar e social) e com o ambiente de trabalho.

Só para iniciar: como estamos acostumados com o uso do teclado, do mouse e de sistemas corriqueiros? De que maneira se instala nosso escritório? E a escola de nossos filhos? A sala de aula onde passaremos um dia inteiro - com seus recursos e instrumentos?

Prestemos atenção portanto em nossa própria situação e na dos filhos e funcionários mais jovens para trazer à discussão mais essa importante faceta.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O Tema Campeão


Creio que há muito passamos a discussão da necessidade de mudanças. Há um claro reconhecimento da falência dos métodos e da total ineficácia de metodologias obsoletas para a Escola de hoje. É covardia agregar fatos e argumentos diante do óbvio.

Para onde levar a Escola?

Essa é a grande questão dos próximos dez anos a perseguir a Educação e educadores em geral.

A grande questão gera filhos: Como mudar? Que direção seguir? O que implementar? Como implementar? Que métodos utilizar - ou até de forma mais específica: que metodologia aplicar? Existe ou existirá tal coisa - uma metodologia aplicável e replicável? Que abordagem adotar?

Enfim muito mais questões do que afirmativas ou respostas prontas. Isso em si, é excelente sinal.

As perguntas mais difíceis e complexas nos inspiram a uma atitude de aprendizado. Desde o princípio de nossas postagens neste blog, nos era claro que o novo aprendiz é um chapéu para todos os protagonistas da Escola: educadores, professores, administradores, funcionários paradidáticos, pais, e (redundantemente) alunos.

Ou seja, é da hora a contínua discussão destas e novas questões - não tanto pela busca de respostas, mas sim pelo processo de aprendizado e de criatividade. E o mais interessante de tudo, é que parte das respostas estão soltas e circulando o mundo através do ciberespaço.

Vou mencionar a fonte de alguns desses fragmentos a orbitar por nossas cabeças:

- TED TALKS (Conferências de Tecnologia, Entretenimento e Design)
- Digital Youth Project (Fundação MacArthur eUniversidade de Berkeley)
- Berkman Center for Internet and Society (na Universidade de Harvard - vários capítulos)
- Aspen Idea Festival (debaixo do Aspen Institute)
- CSN (Amsterdan - A Rede Social Corporativa)
- Preparar o Futuro (APDC - Portugal)
- Seminário A Sociedade em Rede e a Educação (Iniciativa da Vivo)
- 11º Encontro LocaWeb (São Paulo e outras cidades)
- Desconferência Escola de Redes (Campos de Jordão - português), e também no YouTube

São importantes conclusões trazidas nos eventos ou apresentadas ao público e que agora fazem a discussão se seguir. Isso nos estimula e nos faz pensar de maneira mais profunda. E nos leva à conversação. Aí está o nosso caminho, o caminho do novo aprendiz!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Aspen e as Ideias


Quase que exclusivamente por causa de patriotismo, não estive em Aspen na semana passada.

Entre várias razões, há uma pitada de altruismo. Aqui no Brasil preciso fazer o meu evangelismo - pregando sobre o impacto que o mundo digital vai ter sobre a sociedade em geral, e sobre a escola em particular. Ainda bem que tenho encontrado alguns bons aliados. Mas a luta é dura.

Pois bem, em pleno Colorado (verão americano) aconteceu o Aspen Idea Festival – um efervescente fórum reunindo as melhores cabeças do mundo para discutir e debater entre outros temas a Sociedade, a Educação e o Futuro.

Para o público participante, o site afirma que há inspiração e provocação vinda de escritores, servidores públicos, artistas, cientistas, executivos do mundo de negócios, acadêmicos, economistas, especialistas em política exterior, empreendedores, e líderes de todos os tipos ...

Para nós que temos uma certa noção do que seja o TED – Aspen é um TEDÃO!

Este ano eles focaram em quatro grandes temas:
- Economia Global e Política Exterior (World Affairs)
- Arte e Cultura
- A Vida na America
- Gerenciando o Planeta Terra

Dentro das abordagens mais específicas da segunda metade do encontro havia:
- A Ciência do Ser Humano
- Inovação na Educação
- Vivendo Digitalmente
- O Oriente Médio

Vocês devem estar pensando que eu inventei isso da minha cabeça – que foi um sonho pirado ... Mas não. Veja aqui.

No painel “O Futuro da Educação: Tecnologia e como as pessoas aprendem”, estavam (ninguém menos que): Connie Yowell (Fundação MacArthr – responsável pelo estudo Digital Media and Learning Initiative), Will Wright (criador de SIMS), e Howard Gardner (Harvard + o cara das Inteligências Múltiplas).

Eu vou repassar abaixo uma pequena parte do belo resumo que John Plafrey, do Berkman Center de Harvard fez. E depois de ler, você me responde de imediato no comentário:

1) Deveríamos ter alguém lá – pra diminuir esse abismo de futuro, e compartilhando conosco?; e
2) Exagero quando afirmo que – pelo lado otimista - estamos apenas engatinhando?

Leia agora, reflita e participe da discussão. O link original de onde traduzi uma parte, está aqui.

Baseado nos seus estudos das Cinco Mentes, Gardner apresenta seus pensamentos: 1) A nova mídia digital é plural: games, redes sociais, todas as formas de fontes de informação. 2) A Revolução Digital talvez venha a ser tão importante como os primórdios da escrita e da imprensa. Suas conclusões tem por base seu trabalho com entrevistas de: jovens, professores e psicólogos. 3) A coisa mais importante que temos a fazer é nos perguntar: que tipo de mente queremos criar nos jovens de hoje?

Will Wright por sua vez pergunta o que está em jogo na era digital. As crianças estão imersas nessas novas mídias, de tal forma que os pais tem muita dificuldade para entender. As comunicações assíncronas nos levam a novas técnicas de moderação, com novos padrões comunitários e regras para banir as pessoas de comunidades. Há uma metáfora com a biologia pois é debaixo pra cima, substituindo o de cima para baixo tipo de controle, fazendo um paralelo com o conjunto de regras da evolução.

Yowell enfatiza a crucial diferença entre os tipos de participação. Há aqueles focados na amizade e os focados no interesse – sendo que cada participação é distinta. Faz alusão ao trabalho de Mimi Ito. No foco da amizade as crianças trazem seus relacionamentos ‘offline’ e as formas de se comunicar no espaço ‘online’. Já as comunidades focadas no interesse as coisas funcionam de maneira distinta.

Gardner lança um desafio (eles chamam de Good Aspen Idea – ou a boa idéia de Aspen). Cada um de nós deve conhecer melhor como nossa mente opera - metacognição.

Com muito debate e discussão, entra John Seely Brown e coloca a importância do Mestre. “Não pode haver uma falsa dicotomia aqui. Há lugar para o professor aqui. Assim como para as multidões, para a mais recente novidade online, para o gaming, para o aprendizado entre pares. Não devemos ser exclusivistas para nenhum dos lados."


Por favor, vá leve nos comentários pois estou arrependido de não ter ido a Aspen.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Missão Quase Impossível


Imagine que você foi contratado por um país distante para montar uma nova Escola, que deverá usar os melhores recursos à disposição para ser um case modelo. Como resultado disso, espera-se que seu Projeto seja bem sucedido para influenciar a Educação e os rumos da pedagogia daquela nação.

Esse é um Projeto de alta prioridade. Você poderá colocar o que há de melhor em termos de recursos e meios, para auxiliar e fortalecer o professor e a sua Escola. Assim, você instala equipamentos, utiliza-se de metodologias moderníssimas, agrega tecnologia, trazendo o que háde melhor e mais novo no segmento educacional. Tudo muito perfeito.

Há porém um detalhe. É certo que você deva gastar um tempo adicional (1) entendendo aquela cultura, (2) contextualizando seu currículo às realidades do país, (3) respeitando os interesses da sociedade quanto ao presente e ao futuro dessas crianças, (4) contratando iguais para melhor exercer a pedagogia ... Enfim, seguir um receituário do bom senso. Por isso, além do uso eficaz de investimentos, voce vai agregar gente nativa, da cultura local, que vai ajudar a formar a criança como um cidadão para aquele país!

A missão é difícil mas não impossível. Agora pergunto: e em se tratando de nossa realidade?

Hoje nos vemos diante de um grupo etário com cultura, comportamento, hábitos, influências, linguagem, repertório, vocabulário e atitudes TOTALMENTE distintos dos mais velhos. Ou seja - os que estão no comando e à frente da responsabilidade de ensinar, não são nativos (no sentido de terem nascido dentro daquela cultura). Tudo leva a crer que estamos na verdade diante de um desafio ainda mais profundo e complexo do que a hipótese levantada ao início.

O que fazer então? Parte do que estamos a discutir aqui (inciando pelo menos) e as questões que se levantam - e contando assim com a preciosa ajuda de nossos queridos leitores - é que formará um melhor entendimento do que significa o Novo Aprendiz.

Mas pelo jeito - e está cada vez mais patente - que os 'ensinadores' deverão ser os primeiros a atuarem como aprendiz. Bem vindo aos novos tempos!!