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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Mentes Flácidas


Ao longo da semana estava desenvolvendo a minha análise sobre o tão propalado caso da menina da Uniban. A Instituição não havia até então se manifestado. Para mim esse silêncio valia ouro. Até porque não há o que se falar. Uma vez a aluna dentro do campus, a responsabilidade passa a ser da Instituição.

Imaginei, pela perspectiva do marketing, que apesar de ser uma Universidade, algumas regras do 'livre mercado' e do bom senso prevaleceriam - daí que fiz uma postagem por essa ótica, em outro espaço. Veja aqui. Sob o título Ardil, enfatizei que a Uniban estava na situação do 'se correr o bicho pega, se ficar parado o bicho come'. E defendia um posicionamento de distância e silêncio.

No fim de semana fomos surpreendidos. Inicialmente os sites noticiosos antecipavam o teor do 'informe publicitário' a ser veiculado nos jornais de domingo de grande circulação - com o posicionamento oficial da entidade, expulsando a aluna Geysa e tomando outras medidas de lado estético. Em seguida vieram as reações. Os twitteiros criaram um tag específico (#unibanfacts) onde concentraram as ironias e piadas. O volume de micro posts crescia ao longo do dia. E novamente caia o assunto na mídia televisiva.

Voltemos para os aspectos da Educação e do Ensino para elaborarmos algumas lições - são pílulas para reflexão e debate:

1. A Uniban deu mostras claras de que não está preparada para entender, analisar e processar o que se passa na Web. As repercussões na internet foram o segundo estopim. E o terceiro foi a grande mídia. A famosa frase: "A revolução não será televisionada" pode muito bem ser aplicada a esse caso. Antes de chegar na televisão - a revolução já havia acontecido.

2. Os participantes ativos da confusão são Nativos Digitais. A força de expressão, o comportamento temporário e as múltiplas identidades são alguns dos fatores que provocam essa explosão. Pouco se falou disso. Generalizações banais e reducionismos simplórios. Há que se considerar também o que é ação coletiva e densidade social. Sobre esses sub-tópicos eu havia falado na quinta-feira passada num evento fechado. E usei - para surpresa dos presentes - o "Case Uniban" como ilustração. Os colunistas e analistas de plantão também não trouxeram uma reflexão mais aprofundada.

3. Há nesse contexto uma oportunidade e uma demanda. Esperemos que outros tomem iniciativa nessa direção. A oportunidade está em se focar na construção e nos propósitos da coletividade educacional. Professores e educadores - mesmo no nível universitário - devem lançar mão dessa capacidade inerente que está nos seus alunos e criar através de desafios interessantes projetos conectados à sua formação ou com desdobramento nela, mesmo que envolva questões políitcas ou sociais. A demanda é o da ociosidade. Aparentemente a grande maioria é provocada para coisas destrutivas. Minha avó já falava: "cabeça vazia é oficina do diabo." Ter deixado os alunos com a mente flácida ao longo do último bimestre, permitiu provocações outras e envolvimentos outros.

4. Há um grande potencial de produção (individual e coletiva) que deságua em novas formas de expressão. Há uma capacidade nova - escondida e não percebida pelos mais velhos (professores, educadores, decisores, chefes, patrões, gerentes). Há um forte ímpeto por descoberta, inovação e para aceitação de desafios. E esses Nativos Digitais estão a postos.

Então - o que vamos fazer diante desse novo quadro de fatores? Abraçar as oportunidades para fazer algo realmente diferente ou correr o risco ao se manter as mentes flácidas?

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Contato e Identificação


É certo que hoje, um dos desafios maiores para os professores e educadores, está no contato e identificação com seus alunos. Tornar-se parte do todo, e de um todo indivisível e associado, é vital para a boa pedagogia.

Não há comunicação sem rapport. Sobre isso voltarei para aprofundar. Mas hoje o foco está em não sermos um ET dentro da sala de aula: alguém que veio de outro planeta.

A imagem mais forte do filme é a cena dos dedos se tocando. Spielberg que sempre teve fascinação pelo tema, recorre a esse simbolismo para dar sentido à identificação da criança com aquela estranha criatura. Havia algo de mágico na sinceridade e singeleza da criança, ao aceitar um extra-terrestre como parte de sua turma.

O desafio portanto ultrapassa a aparência física, ultrapassa até mesmo os hábitos ou mesmo comportamentos diferentes do ET diante de uma criança ocidental de primeiro mundo. O que estava em jogo era mais para o lado da sinceridade e da fraqueza do visitante, e de como isso demanda na criança um voluntariado para entrosá-lo na vida e no cotidiano.

O recurso a mão, para ser utilizado é menos do lado artificial ou de apetrechos - como por exemplo procurar ser mais jovem do que aparentamos, e muito mais para a sinceridade e a naturalidade. Não podemos mudar quem somos. Mas podemos ser nós mesmos, com naturalidade e autenticidade.

Pode até ser a fórmula do ET. Mas essa fórmula dá certo!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Nativos 2

A discussão continua e segue uma pequena apresentação para entendermos as diferenças entre os Nativos Digitais e a geração anterior (os Imigrantes).