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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

E-book Gratuito


Num esforço colaborativo, conseguimos lançar esta semana o e-book FILHOS SEGUROS, PAIS TRANQUILOS, organizado por Volney Faustini, com outros doze co-autores. É deveras um número emblemático esses doze colaboradores - mas não tem nenhuma outra pretensão. A idéia é contribuir para a discussão e o entendimento desse tema com pais e educadores.

Veja só o sub-título: Entendendo o potencial da internet, e garantindo a integridade dos nativos digitais. Realmente tem tudo a ver com momento atual!

Você pode baixar o arquivo ou ler diretamente na internet neste link do Scribd.

Volte e nos informe o que achou e quais perguntas adicionais devemos responder!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Mentes Flácidas


Ao longo da semana estava desenvolvendo a minha análise sobre o tão propalado caso da menina da Uniban. A Instituição não havia até então se manifestado. Para mim esse silêncio valia ouro. Até porque não há o que se falar. Uma vez a aluna dentro do campus, a responsabilidade passa a ser da Instituição.

Imaginei, pela perspectiva do marketing, que apesar de ser uma Universidade, algumas regras do 'livre mercado' e do bom senso prevaleceriam - daí que fiz uma postagem por essa ótica, em outro espaço. Veja aqui. Sob o título Ardil, enfatizei que a Uniban estava na situação do 'se correr o bicho pega, se ficar parado o bicho come'. E defendia um posicionamento de distância e silêncio.

No fim de semana fomos surpreendidos. Inicialmente os sites noticiosos antecipavam o teor do 'informe publicitário' a ser veiculado nos jornais de domingo de grande circulação - com o posicionamento oficial da entidade, expulsando a aluna Geysa e tomando outras medidas de lado estético. Em seguida vieram as reações. Os twitteiros criaram um tag específico (#unibanfacts) onde concentraram as ironias e piadas. O volume de micro posts crescia ao longo do dia. E novamente caia o assunto na mídia televisiva.

Voltemos para os aspectos da Educação e do Ensino para elaborarmos algumas lições - são pílulas para reflexão e debate:

1. A Uniban deu mostras claras de que não está preparada para entender, analisar e processar o que se passa na Web. As repercussões na internet foram o segundo estopim. E o terceiro foi a grande mídia. A famosa frase: "A revolução não será televisionada" pode muito bem ser aplicada a esse caso. Antes de chegar na televisão - a revolução já havia acontecido.

2. Os participantes ativos da confusão são Nativos Digitais. A força de expressão, o comportamento temporário e as múltiplas identidades são alguns dos fatores que provocam essa explosão. Pouco se falou disso. Generalizações banais e reducionismos simplórios. Há que se considerar também o que é ação coletiva e densidade social. Sobre esses sub-tópicos eu havia falado na quinta-feira passada num evento fechado. E usei - para surpresa dos presentes - o "Case Uniban" como ilustração. Os colunistas e analistas de plantão também não trouxeram uma reflexão mais aprofundada.

3. Há nesse contexto uma oportunidade e uma demanda. Esperemos que outros tomem iniciativa nessa direção. A oportunidade está em se focar na construção e nos propósitos da coletividade educacional. Professores e educadores - mesmo no nível universitário - devem lançar mão dessa capacidade inerente que está nos seus alunos e criar através de desafios interessantes projetos conectados à sua formação ou com desdobramento nela, mesmo que envolva questões políitcas ou sociais. A demanda é o da ociosidade. Aparentemente a grande maioria é provocada para coisas destrutivas. Minha avó já falava: "cabeça vazia é oficina do diabo." Ter deixado os alunos com a mente flácida ao longo do último bimestre, permitiu provocações outras e envolvimentos outros.

4. Há um grande potencial de produção (individual e coletiva) que deságua em novas formas de expressão. Há uma capacidade nova - escondida e não percebida pelos mais velhos (professores, educadores, decisores, chefes, patrões, gerentes). Há um forte ímpeto por descoberta, inovação e para aceitação de desafios. E esses Nativos Digitais estão a postos.

Então - o que vamos fazer diante desse novo quadro de fatores? Abraçar as oportunidades para fazer algo realmente diferente ou correr o risco ao se manter as mentes flácidas?

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Agenda de futuras postagens


A seguir compartilho e antecipo um pouco do que estaremos tratando em nossas futuras postagens. Minha idéia é a de fazer em forma de Perguntas e Respostas. Estou imaginando e construindo indagações válidas, e que ao mesmo tempo introduza temas que venha influenciar a Escola e os alunos.

Não se trata de uma lista exaustiva, mas sim introdutória. Através dos comentários ou mesmo diretamente, você também pode trazer sua perguntas. A idéia, muito mais do que respondê-las, é de criar uma base para viabilize o debate e o aprendizado mútuo.

Vamos lá:

- O que significa Cultura Participativa? Qual sua pertinência?

- A mídia digital modifica em que sentido, e de que forma o aprendizado?

- Que novas habilidades os jovens devem levar para o novo mercado de trabalho?

- O que são Competências Culturais, e por que são importantes?

- Quais os esforços e adaptações a serem feitas para realizar a integração entre as gerações
(incluindo-se todos os ambientes: Família, Escola, Clube, Igreja, Política e Trabalho)?

- Como a Sociedade de maneira geral pode tirar proveito das oportunidades (e quais são elas) que advém deste impacto cultural-digital?

- O que é a nova alfabetização do século 21? O que devemos fazer a respeito disso?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Parceiros dos Nativos Digitais


Um dos desafios na Educação dita moderna, é o desenho do processo didático pedagógico que deve facilitar a vida dos alunos como Nativos Digitais. Mais do que definir método ou criar funções, a Escola terá que falar a nova linguagem - aquela que seu público fala (os alunos).

Para facilitar, amparar e ser um verdadeiro parceiro, o professor tem pela frente uma tarefa monstruosa: aprender e desenvolver para si e para suas funções a aplicação digital. Gerar fluência pressupõe antes familiaridade. Esta por sua vez exige um mergulho efetivo. É por isso que uma das grandes tarefas no Desenvolvimento Educacional está ligado às práticas da conexão e do navegar online.

Essa dedicação inicial deverá ter metas claras e definidas, para que não se corra o risco de o muito fazer, nada resultar. Há avenidas práticas que trazem uma bagagem básica com desdobramentos interessantes. Eu inicialmente recomendaria uma destas iniciativas (que podem ser combinadas entre si):

- Crie um blog individual
- Crie um blog em parceria
- Ingresse numa Rede Social Massiva (tipo Orkut ou Facebook)
- Ingresse em duas Redes Sociais Segmentadas (tipo Cultura Digital ou Escola de Redes)
- Comece a twittar (aqui)

Essas iniciativas, apesar de aparentemente simples, podem descortinar muitas outras oportunidades. Como diz o ditado chines: uma grande jornada começa com os primeiros passos.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Desafios


Em tempos de mudanças drásticas, são os aprendizes que herdam o futuro. Os que já aprenderam se vêem preparados para viver em um mundo que não mais existe.

Eric Hoffer

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Entendendo o desafio


Os melhores professores são aqueles que lhe apontam para onde olhar, mas não lhe dizem o que você deve ver.

Alexandra K. Trefor

terça-feira, 7 de julho de 2009

Aspen e as Ideias


Quase que exclusivamente por causa de patriotismo, não estive em Aspen na semana passada.

Entre várias razões, há uma pitada de altruismo. Aqui no Brasil preciso fazer o meu evangelismo - pregando sobre o impacto que o mundo digital vai ter sobre a sociedade em geral, e sobre a escola em particular. Ainda bem que tenho encontrado alguns bons aliados. Mas a luta é dura.

Pois bem, em pleno Colorado (verão americano) aconteceu o Aspen Idea Festival – um efervescente fórum reunindo as melhores cabeças do mundo para discutir e debater entre outros temas a Sociedade, a Educação e o Futuro.

Para o público participante, o site afirma que há inspiração e provocação vinda de escritores, servidores públicos, artistas, cientistas, executivos do mundo de negócios, acadêmicos, economistas, especialistas em política exterior, empreendedores, e líderes de todos os tipos ...

Para nós que temos uma certa noção do que seja o TED – Aspen é um TEDÃO!

Este ano eles focaram em quatro grandes temas:
- Economia Global e Política Exterior (World Affairs)
- Arte e Cultura
- A Vida na America
- Gerenciando o Planeta Terra

Dentro das abordagens mais específicas da segunda metade do encontro havia:
- A Ciência do Ser Humano
- Inovação na Educação
- Vivendo Digitalmente
- O Oriente Médio

Vocês devem estar pensando que eu inventei isso da minha cabeça – que foi um sonho pirado ... Mas não. Veja aqui.

No painel “O Futuro da Educação: Tecnologia e como as pessoas aprendem”, estavam (ninguém menos que): Connie Yowell (Fundação MacArthr – responsável pelo estudo Digital Media and Learning Initiative), Will Wright (criador de SIMS), e Howard Gardner (Harvard + o cara das Inteligências Múltiplas).

Eu vou repassar abaixo uma pequena parte do belo resumo que John Plafrey, do Berkman Center de Harvard fez. E depois de ler, você me responde de imediato no comentário:

1) Deveríamos ter alguém lá – pra diminuir esse abismo de futuro, e compartilhando conosco?; e
2) Exagero quando afirmo que – pelo lado otimista - estamos apenas engatinhando?

Leia agora, reflita e participe da discussão. O link original de onde traduzi uma parte, está aqui.

Baseado nos seus estudos das Cinco Mentes, Gardner apresenta seus pensamentos: 1) A nova mídia digital é plural: games, redes sociais, todas as formas de fontes de informação. 2) A Revolução Digital talvez venha a ser tão importante como os primórdios da escrita e da imprensa. Suas conclusões tem por base seu trabalho com entrevistas de: jovens, professores e psicólogos. 3) A coisa mais importante que temos a fazer é nos perguntar: que tipo de mente queremos criar nos jovens de hoje?

Will Wright por sua vez pergunta o que está em jogo na era digital. As crianças estão imersas nessas novas mídias, de tal forma que os pais tem muita dificuldade para entender. As comunicações assíncronas nos levam a novas técnicas de moderação, com novos padrões comunitários e regras para banir as pessoas de comunidades. Há uma metáfora com a biologia pois é debaixo pra cima, substituindo o de cima para baixo tipo de controle, fazendo um paralelo com o conjunto de regras da evolução.

Yowell enfatiza a crucial diferença entre os tipos de participação. Há aqueles focados na amizade e os focados no interesse – sendo que cada participação é distinta. Faz alusão ao trabalho de Mimi Ito. No foco da amizade as crianças trazem seus relacionamentos ‘offline’ e as formas de se comunicar no espaço ‘online’. Já as comunidades focadas no interesse as coisas funcionam de maneira distinta.

Gardner lança um desafio (eles chamam de Good Aspen Idea – ou a boa idéia de Aspen). Cada um de nós deve conhecer melhor como nossa mente opera - metacognição.

Com muito debate e discussão, entra John Seely Brown e coloca a importância do Mestre. “Não pode haver uma falsa dicotomia aqui. Há lugar para o professor aqui. Assim como para as multidões, para a mais recente novidade online, para o gaming, para o aprendizado entre pares. Não devemos ser exclusivistas para nenhum dos lados."


Por favor, vá leve nos comentários pois estou arrependido de não ter ido a Aspen.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Missão Quase Impossível


Imagine que você foi contratado por um país distante para montar uma nova Escola, que deverá usar os melhores recursos à disposição para ser um case modelo. Como resultado disso, espera-se que seu Projeto seja bem sucedido para influenciar a Educação e os rumos da pedagogia daquela nação.

Esse é um Projeto de alta prioridade. Você poderá colocar o que há de melhor em termos de recursos e meios, para auxiliar e fortalecer o professor e a sua Escola. Assim, você instala equipamentos, utiliza-se de metodologias moderníssimas, agrega tecnologia, trazendo o que háde melhor e mais novo no segmento educacional. Tudo muito perfeito.

Há porém um detalhe. É certo que você deva gastar um tempo adicional (1) entendendo aquela cultura, (2) contextualizando seu currículo às realidades do país, (3) respeitando os interesses da sociedade quanto ao presente e ao futuro dessas crianças, (4) contratando iguais para melhor exercer a pedagogia ... Enfim, seguir um receituário do bom senso. Por isso, além do uso eficaz de investimentos, voce vai agregar gente nativa, da cultura local, que vai ajudar a formar a criança como um cidadão para aquele país!

A missão é difícil mas não impossível. Agora pergunto: e em se tratando de nossa realidade?

Hoje nos vemos diante de um grupo etário com cultura, comportamento, hábitos, influências, linguagem, repertório, vocabulário e atitudes TOTALMENTE distintos dos mais velhos. Ou seja - os que estão no comando e à frente da responsabilidade de ensinar, não são nativos (no sentido de terem nascido dentro daquela cultura). Tudo leva a crer que estamos na verdade diante de um desafio ainda mais profundo e complexo do que a hipótese levantada ao início.

O que fazer então? Parte do que estamos a discutir aqui (inciando pelo menos) e as questões que se levantam - e contando assim com a preciosa ajuda de nossos queridos leitores - é que formará um melhor entendimento do que significa o Novo Aprendiz.

Mas pelo jeito - e está cada vez mais patente - que os 'ensinadores' deverão ser os primeiros a atuarem como aprendiz. Bem vindo aos novos tempos!!

sábado, 13 de junho de 2009

O Ensino na berlinda

Hoje, mais do que nunca, os verbos ensinar e aprender não são conjugados juntos. Há uma grande dicotomia. Não é que se ensina, que alguém aprendeu. E não é que se aprendeu, que alguém ensinou. Hoje não mais!!

E mesmo que os professores, mestres e educadores se esforcem em suas atividades - com o objetivo de ensinar - debaixo de um conjunto de crenças e sempre presos aos arquétipos do passado, mais distantes eles ficarão do sentido desse esforço. Se o objetivo é fazer (ou permitir) que a criança aprenda, então pode desde já parar!!

É óbvio e claro que não é debaixo de um modelo que remonta (nas melhores hipóteses) ao século dezenove, que a Escola vai conseguir alcançar seus intentos. O jeito quadrado, do silêncio, do poder (!), da centralização, do 'one size fits all' massificado, não é mais eficaz. E isso coloca o Ensino na berlinda.

O que fazer para que nossos filhos aprendam?

Que tal iniciarmos por tirar a ênfase da ação e-n-s-i-n-a-r ?