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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Desdobramentos para a Presença Online

Para Entender a Internet


Com esta iniciativa do Juliano Spyer ao convocar as boas cabeças que tem atuado e sido ativas na internet, temos um bom Manual introdutório para melhor compreender o que é a Web e como estar mais presente.

É boa leitura, e é gratuita. Baixe para o seu uso, ainda hoje!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

E-book Gratuito


Num esforço colaborativo, conseguimos lançar esta semana o e-book FILHOS SEGUROS, PAIS TRANQUILOS, organizado por Volney Faustini, com outros doze co-autores. É deveras um número emblemático esses doze colaboradores - mas não tem nenhuma outra pretensão. A idéia é contribuir para a discussão e o entendimento desse tema com pais e educadores.

Veja só o sub-título: Entendendo o potencial da internet, e garantindo a integridade dos nativos digitais. Realmente tem tudo a ver com momento atual!

Você pode baixar o arquivo ou ler diretamente na internet neste link do Scribd.

Volte e nos informe o que achou e quais perguntas adicionais devemos responder!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Substantivos e Verbos


Uma interessante e importante diferença existe em como a maioria dos professores (imigrantes digitais) encaram a tecnologia digital do presente e os alunos de hoje (nativos digitais). Essa diferença traz implicações enormes para aqueles responsáveis pelo desenvolvimento de cursos e a sua ministração na Escola.

Os imigrantes digitais encaram a tecnologia digital como sendo uma série de ferramentas - por exemplo: o Word, o Excel, o PowerPoint, o Adobe Flash. As ferramentas podem ser usadas para realizar uma série de coisas. Cada uma delas pode ser manuseada e ensinada individualmente.
Na verdade, agora mesmo você poderá estar ofertando um ‘curso’ em qualquer uma dessas ferramentas, como é apresentado na TV o “Video Professor”.

Colocado em outros termos, nossos professores que são imigrantes digitais, encaram a tecnologia como uma série de programas, ou como coisas, ou – em termos lingüísticos – como Substantivos.
Os alunos de hoje, se forem fluentes como nativos na tecnologia digital, encaram de uma maneira bem diferente. Eles vêem a tecnologia como um meio para fazer as coisas acontecerem: comunicando, compartilhando, apresentando, etc.

Nos termos lingüísticos nossos alunos vêem a tecnologia como Verbos.

Eles não aprendem a usar o celular. Eles aprendem a comunicar, usando suas diversas possibilidades. Eles ‘textuam’. Eles ‘torpedeiam’. Eles falam. De maneira similar, eles não aprendem PowerPoint. Eles aprendem apresentação. E no momento em que a ferramenta se torna limitadora para eles – eles partem para outra. Com os telefones celulares isso acontece pelo menos uma vez por ano. E com o PowerPoint, acontece na 6ª série (para os nossos mais brilhantes), pois eles trocam para o Flash e para ferramentas de vídeo – ou o que existir de mais avançado como ferramenta, para o ‘verbo’ acontecer no que estiverem envolvidos.

Tradução do artigo (parte 1) de Marc Prensky por Volney Faustini. Link original aqui.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Parceiros dos Nativos Digitais


Um dos desafios na Educação dita moderna, é o desenho do processo didático pedagógico que deve facilitar a vida dos alunos como Nativos Digitais. Mais do que definir método ou criar funções, a Escola terá que falar a nova linguagem - aquela que seu público fala (os alunos).

Para facilitar, amparar e ser um verdadeiro parceiro, o professor tem pela frente uma tarefa monstruosa: aprender e desenvolver para si e para suas funções a aplicação digital. Gerar fluência pressupõe antes familiaridade. Esta por sua vez exige um mergulho efetivo. É por isso que uma das grandes tarefas no Desenvolvimento Educacional está ligado às práticas da conexão e do navegar online.

Essa dedicação inicial deverá ter metas claras e definidas, para que não se corra o risco de o muito fazer, nada resultar. Há avenidas práticas que trazem uma bagagem básica com desdobramentos interessantes. Eu inicialmente recomendaria uma destas iniciativas (que podem ser combinadas entre si):

- Crie um blog individual
- Crie um blog em parceria
- Ingresse numa Rede Social Massiva (tipo Orkut ou Facebook)
- Ingresse em duas Redes Sociais Segmentadas (tipo Cultura Digital ou Escola de Redes)
- Comece a twittar (aqui)

Essas iniciativas, apesar de aparentemente simples, podem descortinar muitas outras oportunidades. Como diz o ditado chines: uma grande jornada começa com os primeiros passos.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Aspen e as Ideias


Quase que exclusivamente por causa de patriotismo, não estive em Aspen na semana passada.

Entre várias razões, há uma pitada de altruismo. Aqui no Brasil preciso fazer o meu evangelismo - pregando sobre o impacto que o mundo digital vai ter sobre a sociedade em geral, e sobre a escola em particular. Ainda bem que tenho encontrado alguns bons aliados. Mas a luta é dura.

Pois bem, em pleno Colorado (verão americano) aconteceu o Aspen Idea Festival – um efervescente fórum reunindo as melhores cabeças do mundo para discutir e debater entre outros temas a Sociedade, a Educação e o Futuro.

Para o público participante, o site afirma que há inspiração e provocação vinda de escritores, servidores públicos, artistas, cientistas, executivos do mundo de negócios, acadêmicos, economistas, especialistas em política exterior, empreendedores, e líderes de todos os tipos ...

Para nós que temos uma certa noção do que seja o TED – Aspen é um TEDÃO!

Este ano eles focaram em quatro grandes temas:
- Economia Global e Política Exterior (World Affairs)
- Arte e Cultura
- A Vida na America
- Gerenciando o Planeta Terra

Dentro das abordagens mais específicas da segunda metade do encontro havia:
- A Ciência do Ser Humano
- Inovação na Educação
- Vivendo Digitalmente
- O Oriente Médio

Vocês devem estar pensando que eu inventei isso da minha cabeça – que foi um sonho pirado ... Mas não. Veja aqui.

No painel “O Futuro da Educação: Tecnologia e como as pessoas aprendem”, estavam (ninguém menos que): Connie Yowell (Fundação MacArthr – responsável pelo estudo Digital Media and Learning Initiative), Will Wright (criador de SIMS), e Howard Gardner (Harvard + o cara das Inteligências Múltiplas).

Eu vou repassar abaixo uma pequena parte do belo resumo que John Plafrey, do Berkman Center de Harvard fez. E depois de ler, você me responde de imediato no comentário:

1) Deveríamos ter alguém lá – pra diminuir esse abismo de futuro, e compartilhando conosco?; e
2) Exagero quando afirmo que – pelo lado otimista - estamos apenas engatinhando?

Leia agora, reflita e participe da discussão. O link original de onde traduzi uma parte, está aqui.

Baseado nos seus estudos das Cinco Mentes, Gardner apresenta seus pensamentos: 1) A nova mídia digital é plural: games, redes sociais, todas as formas de fontes de informação. 2) A Revolução Digital talvez venha a ser tão importante como os primórdios da escrita e da imprensa. Suas conclusões tem por base seu trabalho com entrevistas de: jovens, professores e psicólogos. 3) A coisa mais importante que temos a fazer é nos perguntar: que tipo de mente queremos criar nos jovens de hoje?

Will Wright por sua vez pergunta o que está em jogo na era digital. As crianças estão imersas nessas novas mídias, de tal forma que os pais tem muita dificuldade para entender. As comunicações assíncronas nos levam a novas técnicas de moderação, com novos padrões comunitários e regras para banir as pessoas de comunidades. Há uma metáfora com a biologia pois é debaixo pra cima, substituindo o de cima para baixo tipo de controle, fazendo um paralelo com o conjunto de regras da evolução.

Yowell enfatiza a crucial diferença entre os tipos de participação. Há aqueles focados na amizade e os focados no interesse – sendo que cada participação é distinta. Faz alusão ao trabalho de Mimi Ito. No foco da amizade as crianças trazem seus relacionamentos ‘offline’ e as formas de se comunicar no espaço ‘online’. Já as comunidades focadas no interesse as coisas funcionam de maneira distinta.

Gardner lança um desafio (eles chamam de Good Aspen Idea – ou a boa idéia de Aspen). Cada um de nós deve conhecer melhor como nossa mente opera - metacognição.

Com muito debate e discussão, entra John Seely Brown e coloca a importância do Mestre. “Não pode haver uma falsa dicotomia aqui. Há lugar para o professor aqui. Assim como para as multidões, para a mais recente novidade online, para o gaming, para o aprendizado entre pares. Não devemos ser exclusivistas para nenhum dos lados."


Por favor, vá leve nos comentários pois estou arrependido de não ter ido a Aspen.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Missão Quase Impossível


Imagine que você foi contratado por um país distante para montar uma nova Escola, que deverá usar os melhores recursos à disposição para ser um case modelo. Como resultado disso, espera-se que seu Projeto seja bem sucedido para influenciar a Educação e os rumos da pedagogia daquela nação.

Esse é um Projeto de alta prioridade. Você poderá colocar o que há de melhor em termos de recursos e meios, para auxiliar e fortalecer o professor e a sua Escola. Assim, você instala equipamentos, utiliza-se de metodologias moderníssimas, agrega tecnologia, trazendo o que háde melhor e mais novo no segmento educacional. Tudo muito perfeito.

Há porém um detalhe. É certo que você deva gastar um tempo adicional (1) entendendo aquela cultura, (2) contextualizando seu currículo às realidades do país, (3) respeitando os interesses da sociedade quanto ao presente e ao futuro dessas crianças, (4) contratando iguais para melhor exercer a pedagogia ... Enfim, seguir um receituário do bom senso. Por isso, além do uso eficaz de investimentos, voce vai agregar gente nativa, da cultura local, que vai ajudar a formar a criança como um cidadão para aquele país!

A missão é difícil mas não impossível. Agora pergunto: e em se tratando de nossa realidade?

Hoje nos vemos diante de um grupo etário com cultura, comportamento, hábitos, influências, linguagem, repertório, vocabulário e atitudes TOTALMENTE distintos dos mais velhos. Ou seja - os que estão no comando e à frente da responsabilidade de ensinar, não são nativos (no sentido de terem nascido dentro daquela cultura). Tudo leva a crer que estamos na verdade diante de um desafio ainda mais profundo e complexo do que a hipótese levantada ao início.

O que fazer então? Parte do que estamos a discutir aqui (inciando pelo menos) e as questões que se levantam - e contando assim com a preciosa ajuda de nossos queridos leitores - é que formará um melhor entendimento do que significa o Novo Aprendiz.

Mas pelo jeito - e está cada vez mais patente - que os 'ensinadores' deverão ser os primeiros a atuarem como aprendiz. Bem vindo aos novos tempos!!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Pedagogia do Harry Potter


Não li o livro. Por enquanto! Não vi o filme - talvez por enquanto. Mas tendo em vista essa preocupação crescente, não será dificil me ver embarcando com o pequeno bruxo.

Um dos mais avançados centros de estudos da matéria (essa tal de bandeira o novo aprendiz) fica no MIT - e chama-se Convergence Culture Consortium - dirigido pelo não menos famosos Professor Henry Jenkis. Em seu blog, ele traz o testemunho de Flourish Klink. Debaixo do tema: A idéia radical de que crianças são pessoas, ele publica um paper escrito por uma de suas alunas. Das coisas que Flourish se lembra bem e com pertinência, de seus tempos escolares, é o computador que ganhou de seus pais (e a possibilidade de se conectar à internet). Relata que isso foi quando tinha seus 12 anos de idade.

A chave para seu crescimento (e conquistas além da escola), veio a ser o compartilhar de suas criações - textos que publicava, sempre focados na história de Harry Potter. Apesar de suas limitações juvenis, ninguém sabia ao certo sua idade. E com o passar do tempo sua articulação mental aprimorava e suas expressões ganhavam relevância.

Foram esses espaços comuns ('affinity spaces') que permitiram que seu aprendizado fosse contributivo e positivo. É ela quem testemunha:
[Tudo isso] ... me levou a escrever, a ler, a fundar uma organização sem fins lucrativos, e pelos céus, tudo isso antes de ter chegado aos dezesseis anos. Comparando, meu tempo no ensino médio parece vazio, sem nada, um lugar circunscrito a se pegar o diploma ...


E em seguida ela enfatiza:

Creio que a primeira resposta é "não lhes dê nada". Essa relação de poder tem que ser abandonada.

sábado, 13 de junho de 2009

O Ensino na berlinda

Hoje, mais do que nunca, os verbos ensinar e aprender não são conjugados juntos. Há uma grande dicotomia. Não é que se ensina, que alguém aprendeu. E não é que se aprendeu, que alguém ensinou. Hoje não mais!!

E mesmo que os professores, mestres e educadores se esforcem em suas atividades - com o objetivo de ensinar - debaixo de um conjunto de crenças e sempre presos aos arquétipos do passado, mais distantes eles ficarão do sentido desse esforço. Se o objetivo é fazer (ou permitir) que a criança aprenda, então pode desde já parar!!

É óbvio e claro que não é debaixo de um modelo que remonta (nas melhores hipóteses) ao século dezenove, que a Escola vai conseguir alcançar seus intentos. O jeito quadrado, do silêncio, do poder (!), da centralização, do 'one size fits all' massificado, não é mais eficaz. E isso coloca o Ensino na berlinda.

O que fazer para que nossos filhos aprendam?

Que tal iniciarmos por tirar a ênfase da ação e-n-s-i-n-a-r ?

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Alunos Especiais

Muito se tem discutido sobre alunos especiais. Uma discussão antiga - que trata daqueles que necessitam de um acompanhamento diferenciado.

Agora a pergunta que não quer calar: e se na sua classe de aula hoje, encontrarmos alguns alunos diferentes que necessitam de um aprendizado diferenciado, o que voce faria?

E agora a afirmação que não queremos ouvir: todos os nossos alunos são diferentes entre si!

Participe da discussão.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Uma Metanoia para a Escola


Temos uma boa e uma má notícia para nossos educadores.

A boa notícia é a imensa janela de oportunidade que se abre para que realizemos uma grande transformação na Escola. Isso porque os alunos de hoje chegam aos bancos escolares suplicando e ensejando essa mudança. Ou seja há uma positiva e saudável conspiração para mudar.

A má notícia é que, definitivamente, a Escola não está cumprindo seu papel. Perde cada vez mais significado e relevância ao não atender seus propósitos, colocando em xeque sua própria existência. E isso é grave.

Hoje temos um abismo entre o que a escola oferece e o que nossos alunos demandam. Um fosso que se amplia a cada dia. Os educadores -- aqueles em posição de direção e decisão -- estão acostumados ao mundo cartesiano de métodos previsíveis e planejamentos herméticos. Eles tendem ser avesso às mudanças. E os professores por sua vez, são exigidos no sentido da sistematização do ensino, tornando-o repetitivo, expositivo e enfadonho.

Percebemos pelo lado dos alunos, altas expectativas. Eles fazem parte da geração Nativos Digitais -- aquela 'molecada' que nasceu banhada em bits. Eles são interessados, auto motivados, rápidos, fáceis de engajar, compromissados e prontos a operar em grupo -- quer colaborando quer aprendendo com seus pares.

Diferentemente do que sempre vimos, esses alunos trazem consigo hoje, a convicção e a motivação para o aprendizado. Através das interfaces digitais, eles se vêem acostumados com o conceito da chave da auto descoberta. São reforçados nesse comportamento pela imediata ampliação de horizontes, que por sua vez os leva a novos patamares. Quase tudo no seu cotidiano assemelha-se a um game -- são obrigados a tentar, a se esmerar diante de desafios, a serem rápidos, a decidirem diante de múltiplas possibilidades, a improvisar e construir o caminho ao longo da jornada -- e ao final serem premiados por seus esforços. E a nunca desistir! Se necessário, começar tudo de novo.

Semelhantemente, quando navegam na internet, assimilam novidades, memorizam links, ensaiam movimentos diferentes, e pacientemente desmontam códigos aparentemente nebulosos. Não se trata de uma minoria de gênios ou de algumas crianças -- entre as muitas -- com personalidade introspectiva que passam o dia enfurnados na tela do computador. É na verdade a maioria -- se não todos!

Uma grande maioria acostumada com as aventuras deste novo e admirável mundo da dimensão digital.

Segundo o censo brasileiro de 2005, mais da metade da população tem idade abaixo dos 25 anos. No entanto, a escola de sempre -- a que conhecemos hoje: aquela escola antiga -- não está preparada para o que esses jovens e crianças definem para si como importante. Não tanto em termos de conteúdo ou de carga curricular – mas de métodos, abordagem e interatividade. Eles demandam uma nova linguagem. Não se trata de planejamento, mas sim de agenda!
Eles estão conectados em rede, se vinculam com amigos -- e com os amigos de amigos. Buscam de maneira natural comunidades de interesses com temas que lhe chamam a atenção. Não se limitam ao uso de um só computador. E lançam mão de diferentes terminais e pontos de acesso, tornando impossível o exercício de qualquer tipo de controle ou dominação por pais ou vigias.
Tudo isso redunda em comportamentos e hábitos singulares. Para os mais velhos, são ações estranhas e procedimentos incompreensíveis.

Nisbett e outros asseveram que o cérebro das crianças que nasceram debaixo da égide digital assimilando-a espontaneamente no seu cotidiano, têm a plasticidade de seus cérebros alterada para melhor.

São os nativos digitais que pesquisam e aprendem por conta própria ou auxiliados por seus pares. Trabalham com facilidade diante de hiper textos e multivariados links. Realizam um tipo de processamento paralelo. Essas e outras novas e surpreendentes características tornam os jovens e as crianças um fantástico ser digital!

Já os mais velhos -- por costume e tradição -- se enquadram dentro de diferentes paradigmas de cognição. Apresentam um processo mental próprio, limitado em certo sentido por demandar foco e ter característica linear. Mas nem por isso inferior ou superior. Tão somente diferente!
E é exatamente por isso que nossos professores têm tanta dificuldade, não só em entender o aluno, mas também em aceitar como normal o seu modo de agir. E em função desse distanciamento, trazem um bloqueio profundo na hora de estabelecer um rapport básico com seus alunos.

Estudos têm definido a necessidade de rapport para uma comunicação eficiente dentro do processo de interação. Tirado da língua francesa, esse termo quer dizer ‘enfileirar-se’, e define o momento de identificação entre emissor e receptor em seus papéis informais. Quando há síntese nos papéis formais e informais, professor e aluno podem gerar uma sensível melhora no processo de interação. Está comprovado que quando se tem uma base informal em comum, cria-se um ambiente de segurança que transcende os papeis originais.

Ao se mostrar como de outro planeta (efetivamente de outra época), os professores ampliam esse fosso que os separa de seus alunos. Sem preparo para a necessária contextualização, seus esforços são contraproducentes, com o risco de fazer essa desmotivação entre os alunos virar um estresse radical. Estes por sua vez, igualmente se distanciam, rebelando-se diante de um processo que, literalmente os aterroriza.

Há neste quadro um duplo vazio. Primeiro como assevera Marc Prensky, criador de games e pensador para a educação: “Nossos alunos mudaram radicalmente. Os alunos de hoje não são as mesmas pessoas para as quais o sistema educacional foi criado para ensinar.” Isso é uma ausência de encaixe, criando um vácuo de propósito e missão. As escolas diariamente estão debaixo, do que poderíamos chamar, de a síndrome de Vampeta: as escolas fingem que ensinam e os alunos fingem que aprendem.

Em segundo lugar não se tem dado o devido cuidado para se debruçar sobre a questão. Essa postura de negação da realidade revela uma forte irresponsabilidade não só dos educadores, mas de toda a sociedade! Antes de ser um problema eminentemente local ou brasileiro, é um desafio global que não enxerga fronteiras. Mesmo assim, não é justificável que permaneçamos feito avestruz.

Mas há um lado promissor. Vários fatores conspiram para uma transformação profunda. Uma verdadeira metanoia*! Precisamos, no entanto agir -- e agir rápido.

A convocação da sociedade para o debate é tão somente o ponto de partida. Há muito a se fazer. Mas como toda grande jornada, deve começar com os primeiros passos.

* Metanoia – Derivada do grego, tem pelo menos quatro significados: arrependimento (utilizado no contexto religioso), conversão (espiritual ou intelectual), mudança de mente ou de direção (no sentido individual) e transformação da organização (como uma disciplina -- apregoado por Peter Senge). Este último tipo, descreve uma radical mudança da instituição.